terça-feira, 20 de setembro de 2016

Novo blog

Oi! Estou passando aqui para avisar que o blog está com um novo endereço!
Não vou apagar este aqui pois tem muita coisa que ainda não consegui passar para o novo site, mas também não vou escrever mais nada de novo no blogspot.

Aqui vai o endereço novo: www.poressaseoutras.com.br

domingo, 19 de junho de 2016

Berlim e os resquícios do Muro

Como sabemos, muitos monumentos e prédios históricos tiveram que ser reconstruídos em Berlim após a Segunda Guerra Mundial. Depois desse período, a cidade ainda sofreu grandes transformações em razão da construção do Muro que separou Berlim Ocidental de Berlim Oriental durante quase 30 anos, de 1961 à 1989. Diversas partes desse muro estão espalhadas pela cidade e podem ser visitadas gratuitamente. Antes de falar sobre esses lugares, vou contar um pouco da história desse muro.

Desde o fim da Segunda Guerra Mundial e a consequente derrota dos nazistas, a Alemanha foi ocupada pelos Aliados e dividida em uma parte soviética, americana, britânica e francesa. Os quatro poderes determinavam as novas ordens políticas, econômicas e sociais das suas respectivas zonas. O objetivo era apagar todo e qualquer traço do nazismo e democratizar o país. 

Em pouco tempo a coalização Anti-Hitler se separou. A União Soviética estendeu suas bases e instaurou ditaduras sob o comando de partidos comunistas em países europeus. Para combater essa expansão, os Estados Unidos levou mais tropas para a Europa e Ásia. E então começou a Guerra Fria entre duas ideologias irreconciliáveis que lutavam pela hegemonia mundial. Uma das regiões onde a guerra fria se estabeleceu com mais contundência foi na Alemanha dividida. 

Na noite do dia 12 de agosto de 1961, Walter Ulbricht, líder do Partido Socialista Unificado da Alemanha deu ordens para fechar as fronteiras da parte dominada pela União Soviética e as demais regiões comandadas pelos EUA, Grã-Bretanha e França. A medida tinha como objetivo evitar fugas que já haviam acontecido durante os anos anteriores do lado Oriental para o Ocidental. 
Durante os 28 anos que o Muro dividiu a nação, mais de cinco mil pessoas escaparam do lado controlado pela União Soviética para a parte comandada pelos países ocidentais. Infelizmente, 136 perderam a vida ao tentar atravessá-lo. 
Em 1963 a Alemanha Oriental e a Ocidental fizeram um acordo para permitir os berlinenses que moravam do lado Oeste para visitar seus parentes que ficavam do outro lado. Mais de um milhão de visitas ao lado Leste foram registrados no final daquele ano. Até 1966 a tradição se manteve, após esse período as duas Alemanhas não chegaram a um acordo e então milhares de famílias ficaram impossibilitadas de se ver por seis anos, até que o acordo foi retomado em 1972. 
Nos anos 80, o regime soviético foi perdendo a força e dando cada vez mais independência para os países sob seu comando. No início de 1989, mais de cem mil pessoas da Alemanha Oriental enviaram pedidos para deixar o país, a população começou a protestar e o regime a enfraquecer. 
No dia 9 de novembro de 1989, o dirigente da Alemanha Oriental, Egon Krenz estava prestes a anunciar na TV as novas medidas que iam permitir os cidadãos visitar a Alemanha Ocidental por mais de 30 dias e também permissões para saídas definitivas. Krenz entregou ao seu porta-voz, Gunter Schabowski, o documento com as informações necessárias. Schabowski não estava presente quando as medidas foram aprovadas ou quando Krenz leu a lei para o seu comitê. Por esta razão, ele não estava informado sobre o tempo de espera estabelecido para emitir os vistos pelo governo. O porta-voz diz que as medidas entrariam em vigor imediatamente. E com essa frase, encerra a mais desastrosa coletiva de imprensa da história. A imprensa logo começou a divulgar que a Alemanha Oriental abrira suas fronteiras e as pessoas começam a ir às ruas e a pressionar os guardas que cuidavam do muro, e que nada sabiam sobre a decisão de liberar a circulação. Temendo pelas próprias vidas, devido à forte pressão da população, a polícia decidiu finalmente deixar todos passarem para o outro lado. Algumas horas depois, berlinenses dos dois lados celebraram a queda do muro embaixo do Portão de Brandemburgo.

Memorial do Muro - Centro de documentação
É bom começar a visita pelo Memorial. A história é contada em detalhes desde a construção do muro, como isso mudou a vida das pessoas até a queda. Dá para ouvir depoimentos de pessoas que cresceram no período da Guerra Fria, ficaram separadas das famílias e até perderam parentes que tentaram escapar. Alguns objetos inusitados estão expostos, como o pé de pato de um homem que escapou nadando pelo Canal Teltow. Histórias  curiosas e tristes de como as famílias faziam para se comunicar são expostas. Tudo isso pode ser lido lá em alemão e inglês. A entrada é gratuita. Em frente à exposição existe marcas de onde o muro passava e um memorial em homenagem às vítimas que tentaram atravessar, mas acabaram perdendo a vida ao fazê-lo. 

Endereço: Bernauer Str. 111, 13355 Berlin, Alemanha
Estação: Nordbahnof



Memorial do muro de Berlim 
Centro de documentação do muro
Eastside Gallery
Uma galeria de arte a céu aberto localizada às margens do rio Spree. Com 1.3 km de extensão, essa é a maior parte do muro que ainda restou. As paredes foram pintadas por 118 artistas de 21 países. Os artistas tentaram retratar os momentos políticos da Alemanha  antes e depois da queda do muro. Aproveite para passear pela linda ponte Oberbaumbrücke que fica ao lado. 
Endereço: Mühlenstraße,10243 Berlin,Alemanha
Estação: S+U Warschauer Str. 


Ponte Oberbaumbrucke
Eastside Gallery
Checkpoint Charlie
O mais famoso posto militar da fronteira entre as duas Alemanhas é hoje um ponto turístico na cidade. Diplomatas, jornalistas e turistas passavam por este local para entrar na Alemanha Oriental com o visto de um dia. Foi ali que, no auge da crise entre EUA e URSS, os tanques das duas super potências ficaram um de frente para o outro, amedrontando o planeta para uma possível Terceira Guerreira Mundial. 

Uma placa com os dizeres: "Você está deixando o setor americano", em inglês, russo, francês e alemão, ficava no ponto em que dividia a cidade. Até a queda do muro em 9 de novembro de 1989, essa era uma fronteira importante entre o Oeste e o Leste, entre o capitalismo e o comunismo. 
Os turistas podem tirar fotos com duas pessoas vestidas de soldados que ficam na cabine de controle da fronteira. A história do Checkpoint Charlie bem como detalhes sobre o Muro podem ser conferidas de perto no museu que fica ao lado. Por falta de tempo não visitei. Mais informações neste link
Endereço: Friedrichstraße 43-45, 10117 Berlin, Alemanha
Estação: U Kochstr./Checkpoint Charlie 

sábado, 18 de junho de 2016

Berlim: Estádio Olímpico, Palácio de Charlottenburg e Catedral

Ir para Berlim e mergulhar na história da Segunda Guerra Mundial,  é inevitável. Muitos prédios e monumentos tiveram que ser refeitos, pois foram todos destruídos durante a guerra. Após, a cidade passou pela construção do Muro, em 1961, que separou famílias e amigos por quase 30 anos. É interessante repensar a história no local em que os fatos ocorreram, mas depois de algum tempo você também cansa e busca passeios alternativos em que a guerra, o muro, as mortes não estejam presentes. Por essas razões, vão aqui boas dicas para fugir (um pouco) desses temas enquanto estiver por Berlim.

Estádio Olímpico

O estádio fica um pouco afastado de outros pontos turísticos na cidade, por isso indico que quem vai visitá-lo aproveite para passar na volta pelo Palácio de Charlottenburg (Schloss Charlottenburg). 
O estádio foi construído entre 1934 e 1936 para os Jogos Olímpicos de 1936 e pode receber até 74 mil torcedores. Hoje o estádio recebe grandes eventos (como a Copa da Alemanha) e, também, jogos do Clube Hertha BSC. 
Em 2006, o Estádio Olímpico de Berlim recebeu alguns jogos e a final da Copa do Mundo. O local é famoso por ter recebido este último evento é claro, mas também ficou conhecido por ser o estádio onde Hitler divulgou a propaganda nazista. A imagem esportiva da Alemanha dos anos 30 serviu para promover o mito de superioridade racial ariana. Os judeus foram excluídos do mundo esportivo alemão nesta época. Os nazistas prepararam tudo para os Jogos Olímpicos de 1936. Foi construído um imenso complexo esportivo e todos os traços de anti-semitismo e racismo foram escondidos: os nazistas retiraram as placas que proibiam a circulação dos judeus e também não perseguiram os estrangeiros pelas leis anti-homossexuais. Alguns países ameaçaram boicote ao evento devido à política racista de Hitler, mas no fim das contas, 49 equipes esportivas vindas do mundo inteiro participaram, um recorde para aquele momento. 
O estádio é aberto para visitas. Eu não consegui entrar, pois teria um jogo à tarde e os portões para visitação estavam fechados. O ingresso custa 7 euros.
Endereço: Olympischer Platz 1 - 14053 Berlin
Estação de metro: U Olympia-Stadion
Horários de funcionamento: novembro à março: das 10h às 16h; abril à outubro: das 9h às 19h; agosto das 9h às 20h. É bom estar atento aos dias de jogos neste site para programar sua visita de maneira a usufruir melhor do clima esportivo presente na cidade. Mais informações aqui

Palácio de Charlottenburg (Schloss Charlottenburg)

O maior palácio de Berlim foi construído em 1699 pelo Príncipe eleito, Friederich III, cuja finalidade seria um Palácio de Verão para a esposa, Sophie Charlotte. 
O local passou por diversas construções com o passar dos anos, tanto para aumentá-lo quanto para modificá-lo. Nele existe uma coleção enorme de pinturas francesas do século XVIII, a maior fora da França. A enorme coleção de porcelana chinesa e japonesa e os quartos reais já fazem da visita um belo passeio. 
O palácio foi quase todo destruído durante a Segunda Guerra Mundial. A versão que temos dele hoje é uma cópia fiel de como era antes. A reconstrução começou em 1950. Vale a pena pegar o áudio-guia, que é gratuito, na compra do ingresso. A visita vale pelo jardim que é deslumbrante. Se você não quiser comprar ingresso para entrar no Palácio, pode só visitar o jardim que é gratuito. A melhor época para conhecer é na primavera e no verão. O valor do ingresso é de 10 euros e para ter permissão de tirar fotos tem de pagar mais três. 
Endereço: Charlottenburg Palace - spandauer Damm 10-22
Estação de metrô mais próxima: Richad-Wagner-Platz 
Horários de abertura: Veja este site



Catedral de Berlin (Berliner Dom, Berlin Cathedral)

A Catedral foi construída pela primeira vez em 1465, mas somente em 1905 ela tomou a forma que tem hoje. É a maior e mais importante Igreja Protestante de Berlim. A Catedral também foi destruída durante a Segunda Guerra e ficou fechada durante os anos em que a cidade ficou separada pelo muro, reabrindo suas portas em 1993. A vista da cidade de cima da Catedral, vale o sacrifício. Como não subi na Torre de TV, fui até o topo da Catedral (que atinge 116 metros de altura) e pude ver a cidade inteira. Aqueça as pernas antes, pois para chegar ao topo é necessário subir 270 degraus. No final recebemos a recompensa de uma vista maravilhosa. 
O subsolo da Catedral abriga uma cripta que conta com mais de 90 tumbas e sarcófagos, incluindo a do rei Friedrich III e da rainha Sophie Charlotte. 
A Catedral fica na Ilha dos Museus. O ingresso custa 7 euros e, para estudante, 5. 
Horários de funcionamento: segunda à sábado: das 9h às 20h; sábados e feriados: do meio dia às 20h. De primeiro de outubro à 31 de março: fecha às 19h. 
Estação: Alexanderplatz 




quarta-feira, 15 de junho de 2016

Museus em Berlim

Quem me conhece sabe que adoro museus e sempre que viajo faço questão de visitar alguns. Acho que ao entrar em um museu sentimos a vibração da arte e da época vivida.
Em Berlim existem muitas opções, e foi bem difícil escolher quais museus visitar nos cinco dias que passei por lá. Fiz uma maratona e consegui ir a nove museus. Abaixo conto um pouco sobre cada um deles. 

Museu Histórico Alemão (Deutsches Historisches Museum)
A exposição permanente conta mais de 1500 anos de história da Alemanha. O segundo andar é dedicado às mudanças das fronteiras na Europa e como a Alemanha e a língua alemã foram modificadas com o passar do tempo. Seguindo a ordem cronológica, o museu expõe as publicações de Martinho Lutero em 1517 , bem como as reformas que propôs à Igreja tendo como consequências transformações políticas e religiosas para toda população. Um outro momento importante da história alemã destacado no museu é a fundação do Império Alemão, em 1871.   Movido pelo forte nacionalismo e uma expansão econômica muito grande, o império em 1914, foi levado à Primeira Guerra Mundial. O passeio pelo segundo andar termina com a derrota da Alemanha em 1918 e o colapso do Império Alemão. 
No primeiro andar a exposição começa com o período após a Primeira Guerra. Naquele momento, o povo alemão vivia na miséria e a taxa de desemprego era muito alta. Isto levou a uma radicalização política da população e o crescimento do NSDAP (Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães) como um partido político de massa. Em 1933, Adolf Hitler foi apontado como Chanceler do Reich, e os nazistas rapidamente estabeleceram uma ditadura totalitária que perseguiu e aniquilou os judeus, os oponentes políticos e outras pessoas que não eram de acordo com a ideologia racial dos nazistas. Assim foram se estabelecendo as condições para a deflagração  da Segunda Guerra Mundial que começou em 1939 com a invasão da Alemanha na Polônia. O fim do nazismo na Alemanha aconteceu em 1945 colocando um ponto final na Segunda Guerra que fez mais de 50 milhões de vítimas. O museu expõe também a divisão da Alemanha em quatro zonas e a construção do Muro após a Segunda Guerra. (Sobre esta questão  vou falar mais em outro post). 
É um museu imprescindível, pois conta a história da Alemanha desde o seu começo e não somente os últimos acontecimentos que são os mais conhecidos do público.
Endereço: Unter den Linden 2, 10117 Berlin - Dá para ir caminhando do Portão de Brandemburgo ou da ilha dos Museus que fica ao lado. É aberto todos os dias das 10h às 17h. O ingresso custa 8 euros e 4 para estudante. Mais informações aqui: https://www.dhm.de/en/ausstellungen/permanent-exhibition.html

Ilha dos Museus  (Museu Novo, Museu Antigo, Antiga Galeria Nacional, Bode Museu e Pergamon Museu)
Uma pequena ilha localizada bem perto da famosa torre de televisão de Berlin é conhecida como a Ilha dos Museus. São cinco museus importantes que ficam lá e também a Catedral de Berlim. O ticket que comprei para visitar todos os museus por três dias custa 19 euros (ou 9.50 para estudantes) e permite que o visitante vá em 60 museus. Ou seja, uma longa lista para escolher. O ticket pode ser adquirido em qualquer um dos museus da Ilha. Uma dica é usar o áudio-guia que é gratuito e está disponível nos museus da ilha, em várias línguas (menos em português). Esse é um recurso importante para melhor aproveitar a visitação.

Atles Museum (Museu Antigo ou Old Museum)
Atles Museum
Este museu foi construído entre 1823 e 1830 e sua arquitetura é impactante, parece que estamos na Grécia no período da Antiguidade. A exibição permanente é  uma coleção de antiguidades dos Gregos e Romanos. A arte romana é apresentada também através de retratos e esculturas de Cezar e Cleópatra.

Neues Museum (Novo Museu ou New Museum)
O Neues começou a ser construído em 1841. Ele sofreu muitos danos durante a Segunda Guerra e continuou em ruínas até 1999. Somente em 2009 o museu foi reaberto e expõe obras do Egito e da pré-história. O desenvolvimento das culturas da Eurásia no período Paleolítico até a Idade Média são retratados através de esculturas, papiros e pinturas. Um dos tesouros do museu é o busto de Nefertiti que foi uma esposa do faraó egípcio, Aquenáton. A obra feita de calcário tem cerca de 3.400 anos de idade e retrata a beleza de Nefertiti que impressiona a todos até hoje.
Alte Nationalgalerie
Alte Nationalgalerie (Galeria Nacional Antiga ou Old National Galery)
Inspirado na Acrópolis de Atenas, o belo edifício foi construído entre 1867 e 1876. Foi o meu museu preferido na ilha, pois expõe uma coleção de pinturas do século XIX, período entre a Revolução Francesa e a Primeira Guerra Mundial. Obras dos impressionistas Edouard Manet, Claude Monet, Auguste Renoir e Paul Cézanne enriquecem ainda mais o museu. 

Bode Museum
O nome engraçado do museu é uma homenagem ao seu primeiro curador,  Wilhelm von Bode, em 1956. A coleção expõe tesouros da arte bizantina (do século  III ao XV) de esculturas (da Idade média ao século XVIII) e uma coleção de moedas da antiguidade. Um museu interessante, mas o que tinha menos visitantes quando estava lá, por isso gostei ainda mais.

Pergamon Museum
Este é, com certeza, o museu mais famoso da ilha e de Berlim. Ele recebe mais de um milhão de visitantes por ano e por isso as filas de entrada são longas. Recomendo chegar cedo, pelo menos meia hora antes da abertura para garantir que não vai ter muita gente no momento da sua visita. O museu estará em reformas até 2025, por isso algumas salas estão fechadas para visitas. Mas mesmo assim, vale a pena visitar as outras áreas. 
O mais impressionante são as reconstruções arqueológicas do Altar Pergamon de Zeus (originalmente construído no século II , na região da Turquia) e o Portão do Mercado de Miletos (século II). A parte do museu dedicada à arte Islâmica está muito interessante, não  tinha visto nada parecido; as cerâmicas e pinturas são relíquias que contam a história da humanidade. 

Gemäldegalerie 
O museu, localizado fora da Ilha, tem uma das mais importantes coleções de pinturas europeias do século XII ao XVIII. Lá estão quadros de Raphael e Caravaggio entre outras. A maioria das obras são italianas e alemãs. É interessante passear com o áudio-guia, pois as principais obras são detalhadas por historiadores, fazendo uma grande diferença. Caminhando pelo parque Tiergarten, passando pela Orquestra Sinfônica você leva 20 minutos. O ticket para três dias de acesso livre à 60 museus é válido também para este. 

DDR Museum
Este com certeza foi o meu preferido. O museu é interativo e nos permite entender e ver como a Alemanha socialista funcionava. Eu já tinha visitado o memorial do Muro de Berlim e outros lugares que contavam a história de quando o país ficou dividido, mas nenhum mostrou em detalhe como as pessoas viviam, o que elas faziam, o que comiam, onde iam. Você pode ver, tocar e viver essa experiência da Alemanha oriental, no período de 1961 à 1989. Custa 9,50 euros (7,50 pela internet) para entrar e 6 euros para estudante. O museu fica ao lado da Ilha dos Museus, perto da Catedral de Berlim.

Judisches Museum (Museu Judaico)
O Museu Judaico de Berlim cobre mais de 2 mil anos de história dos judeus e a relação dos judeus com os alemães. É o maior museu judaico da Europa.  Ao contrário do que imaginei, eles não focam somente no período do nazismo, mas nos costumes, nas personalidades judaicas e como eles vivem até hoje. A situação mais chocante que vivenciei no museu é na entrada, onde o visitante passa pela exposição de objetos e cartas de pessoas que tentaram escapar dos nazistas e acabaram sendo pegas. É triste e muito intenso. No final,  passamos por  uma pequena sala escura com a Torre do Holocausto que recebe um pouco de luz no topo. Ideal para um momento de reflexão. Na verdade, por todo o museu existem lugares vazios que propiciam um tempo ao visitante pensar sobre o que acabou de ver ou ler. 

terça-feira, 14 de junho de 2016

Berlim - monumentos e visita ao Parlamento Alemão (Bundestag)

Berlim é uma das cidades mais legais que já visitei. Ela é moderna, cosmopolita e, ao mesmo tempo, tem muita história por todos os cantos. Afinal, se formos pensar no passado recente (por volta de 100 anos) os berlinenses passaram por duas Guerras mundiais e um muro que separava Berlim em Ocidental e Oriental. Por isso, muitos monumentos tiveram que ser reconstruídos. 
Eu adorei conhecer a cidade e saber mais sobre a história do povo alemão. Nesse post vou falar sobre os monumentos que valem a pena visitar e o Parlamento Alemão. E a melhor parte: tudo de graça! 

Portão de Brandemburgo 
Um dos cartões postais da cidade, o portão de Brandemburgo foi construído entre 1788 e 1791 e foi inspirado na Acrópole de Atenas. Foi o rei da Prússia, Frederic Guillaume II, que encomendou o monumento. Ele queria chamar atenção para a entrada da movimentada Avenida Unter den Linden. O portão é hoje o único vestígio das 18 portas originais da cidade. 
Durante a Segunda Guerra Mundial, o Portão foi bastante danificado pelos bombardeios. No período de 1961 à 1989 em que a cidade foi dividida entre Alemanha Ocidental e Alemanha Oriental, o portão ficou fechado, sem permitir a passagem da população de um lado para o outro. Foi ali que em 1987 o Presidente americano Ronald Reagan provocou seu adversário Mikhail Gorbatchev durante a Guerra Fria: "Derrube este muro!". 
Somente após a reunificação da Alemanha em novembro de 1989 que o Portão foi reaberto e até hoje simboliza a união do povo de Berlim. A reabertura oficial aconteceu no dia 22 de dezembro de 1989 e mais de 100 mil pessoas foram celebrar o evento. 
Endereço: Pariser Platz 1, 10117 Berlin
Estação de metro: S+U Brandenburger Tor


Memorial aos Judeus assassinados da Europa
Passando pelo portão da estação de metro em direção ao parque Tiergarten, você caminha 5 minutos e chega ao Memorial aos Judeus, em Berlim. A homenagem é feita aos judeus assassinados durante o genocídio nazista na Segunda Guerra Mundial. São construções de pequenos muros de cor cinza que transmitem o tom trágico do acontecimento. 
O centro de informações fica no subsolo da estrutura e disponibiliza documentos das vítimas do nazismo e das famílias. Biografias, gravações e informações são disponíveis para os visitantes sobre os judeus que viviam na Alemanha durante o massacre feito pelos nazistas. 
O monumento é recente, ficou pronto em maio de 2005. São 2.711 blocos retangulares de concreto que lembram caixões e são separados para que o visitante possa caminhar entre eles. O lugar é impactante, propício para uma reflexão.
O memorial fica aberto 24 horas por dia e todos podem passar por ele livremente, sem necessidade de comprar ingresso. 
A estação mais próxima é a mesma do Portão de Brandemburgo. 
Endereço: Ebertstraße 10, 10117 Berlin

Parlamento Alemão (Bundestag)
O Parlamento Alemão também fica pertinho do Portão de Brandemburgo, menos de cinco minutos caminhando para o lado contrário do Memorial aos Judeus. A visita à Cúpula é gratuita, mas você precisa agendar pela internet através deste link ou ir até lá cedinho e reservar a entrada para o mesmo dia (algumas horas mais tarde) ou para outro dia. Você precisa levar o passaporte para reservar o bilhete. E prepare-se para uma fila... Eu cheguei às 8h e fiquei esperando 1h para conseguir o meu ticket.  
O Bundestag é um dos parlamentos mais visitados no mundo: cada ano três milhões de pessoas passam por lá. O prédio mais visitado é o Reichstag que é onde fica a cúpula que permite uma vista incrível da cidade. 
O Reichstag foi inaugurado em 1894 quando a Alemanha ainda não era uma República. Somente em 1918 que o chanceler Philipp Scheidemann proclamou a República através de uma das janelas do Reichstag. Durante os anos 30, época que Hitler esteve no poder, o prédio foi destruído por um incêndio.  Muitos historiadores acreditam que a destruição foi provocada pelos seguidores do ditador. O prédio foi reconstruído e em 1990 aconteceu a primeira reunião da Alemanha reunificada após a queda do Muro. 
A cúpula fica aberta para visitas todos os dias das 8h às 24h. Um áudio-guia é disponível em 10 línguas, inclusive em português. Esse recurso possibilita saber mais sobre a história do prédio, do Parlamento e dos monumentos em volta do Bundestag.  



quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Duas dicas de bons cafés em Montreal

Anticafé Montréal 
Adoro descobrir lugares novos na cidade e aqui, diga-se de passagem, não é uma tarefa muito difícil. Fico impressionada com a criatividade dos empreendedores. Há poucos dias fui no Anticafé que é muito bem localizado, na Place-des-Arts em Montréal. A proposta é a seguinte: "faites comme chez vous" - faça como se estivesse em casa. Ao chegar no café é preciso tirar os sapatos (hábito maravilhoso que os canadenses têm e nós adquirimos ao nos mudarmos para cá), o casaco, colocar alguma das pantufas disponíveis para empréstimo e escolher algum lugar confortável para sentar. Pode ser em alguns dos sofás, puffs, poltronas ou mesmo nas cadeiras. O pagamento é feito conforme o tempo que você fica no local. A primeira hora custa 3 $ CAD e a hora adicional 2 $ CAD. Por esse valor você bebe chá e café à vontade e ainda pode comer quantos cookies e biscoitos quiser. O ambiente é muito legal e realmente nos faz sentir em casa. Muitas pessoas vão lá para ler, estudar ou mesmo encontrar com os amigos. Preste atenção na decoração: os quadros espalhados estão à venda assim como alguns móveis vintage. Alguns dias à noite tem grupos de conversação de francês, inglês, espanhol ou até japonês. A programação pode ser acompanhada na página do facebook do café, é só clicar aqui

Padoca Patisserie Brésilienne
Sabe quando dá aquela vontade de comer uma coxinha, um pastel, um pão de queijo, ou melhor ainda, uma empadinha? A saudade de casa aumenta e você fica pensando porque o Starbucks, o Second Cup ou qualquer outro café por aqui só oferecem muffins, cupcakes, cookies e uma infinidade de opções doces e quase nada de salgado. Tem vezes em que tudo que queremos é um pequeno pão de queijo, mas aqui é quase impossível achar algum lanche pequeno, tudo é muito grande e, na maioria das vezes, doce. A Padoca foi uma surpresa muito agradável. Levei um casal de amigos da Bulgária para conhecer o local e fiquei receosa de que achassem tudo muito gorduroso, mas no final das contas eles adoraram e até planejam voltar. O pastel é frito na hora, feito no capricho. O preço é bem acessível também. A coxinha custa 3,50 $ CAD, o pão de queijo 0,50 $ CAD e o brigadeiro 1 $.  A Padoca fica perto do metro Berri-UqaM, e as informações sobre horários de funcionamento você confere nesse link.

Anticafé em frente da Place-des-Arts

Cookies à vontade no Anticafé

Padoca
Coxinha de frango e queijadinha


domingo, 10 de janeiro de 2016

Hotel de gelo em Québec (Hôtel de Glace)

Viajar durante o inverno no Hemisfério Norte para o Canadá é uma aventura e tanto. Um dos lugares imperdíveis para conhecer é o Hotel de Gelo, na cidade de Québec. Todos os anos, de janeiro até março, é possível visitar e inclusive se hospedar no hotel. Em 2016 ainda dá para programar uma visita, pois o estabelecimento fecha as portas somente no dia 28 de março. É bom chegar cedo, pois no ano passado durante os três meses de funcionamento do hotel, o local recebeu 120 mil visitantes, dos quais 5.700 passaram a noite por lá.
O hall principal, o bar, a capela, as 44 suítes são totalmente feitas de gelo. Completam essa estrutura um SPA e Sauna tradicionais. No dia em que fomos visitar estava fazendo -20°C em Québec e achamos que dentro do hotel ia ser menos frio já que a administração promete que as temperaturas não ficam abaixo dos -4°C lá dentro. Mas na verdade quase não notamos diferença da temperatura no interior dos quartos e na rua.
Para visitar o hotel é bom ir de carro, pois você fica livre pra voltar a hora que quiser. Existem shuttles que fazem o transporte até o hotel, que fica a 10 minutos do centro de Québec, mas se você for com mais pessoas talvez seja mais econômico alugar um carro mesmo.
Não fique com medo de passar muito frio, pois existe uma estrutura fechada, ao lado do hotel, onde você pode entrar, tomar um café e almoçar dentro de uma sala quentinha. É bom se aquecer de tempos em tempos, senão a experiência pode se tornar dolorosa. Existem várias opções de pacote para visitação, vocês podem conferir no site clicando neste link. A visita custa 18,25 $CAD para adultos e dá direito a passar o dia todo lá dentro. Para os corajosos que desejarem se hospedar, deverão desembolsar 269$CAD por pessoa, ou aproveitar a promoção de janeiro por 199$CAD. As camas são feitas de gelo, mas em cima delas é colocado um colchão e um cobertor bem grosso. É claro que não dá para acender um "foguinho" lá dentro, afinal as temperaturas devem ficar baixas mesmo para não correr o risco de tudo derreter.
Muitos quartos são desenhados por estudantes de arquitetura de Universidades quebequenses que concorrem a prêmios devido à originalidade das suítes. Vale a pena passar por todas para conferir as esculturas de gelo dentro de quase todos os quartos.
Ainda existe a possibilidade de fazer uma festa de casamento no hotel. O pacote mais barato para fazer a celebração lá dentro com 10 convidados é de 2.399$CAD. Certamente será uma experiência incrível, pois foge totalmente do padrão que vivenciamos no Brasil.
Além de tudo, ainda há a possibilidade de visitar o hotel através do tour virtual disponível neste link.
Coloco algumas fotos que fiz do hotel aqui neste post para vocês conferirem. Espero que gostem!







sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

Université de Montréal: desafios em estudar em outra língua

Terminado o primeiro semestre de aulas do mestrado posso escrever sobre os maiores desafios desta primeira etapa. Não quero assustar ninguém, mas de setembro à dezembro vivi para os estudos! Foi difícil, deu dor de cabeça, cansaço, estresse... mas no final, valeu a pena. O resultado das disciplinas provam isso. A sensação de alívio e de dever cumprido supera todos sentimentos anteriores.
Conforme mencionei no post anterior, fiz três disciplinas (mesmo que o indicado para estudantes internacionais no começo sejam duas). O mestrado em relações internacionais é multidisciplinar, podemos optar por disciplinas de política, economia, direito, sociologia, antropologia, criminologia, línguas, entre outras. Em algumas disciplinas, como a de criminologia que escolhi, tive colegas que tinham feito a graduação em criminologia portanto já tinham muitos conhecimentos sobre o assunto, enquanto eu não tinha nenhuma base. Tive de correr atrás para tentar ficar em sincronia com a turma. Felizmente os colegas foram solidários, auxiliando nas dificuldades, inclusive, o professor.
O que pude perceber é que não existe tratamento diferenciado por parte dos professores, eles tratam iguais estrangeiros, franceses e quebequenses que têm a vantagem de terem como língua materna a francesa. Eu não tive nenhuma prova até agora, mas em compensação realizei diversos trabalhos. Muitas pessoas me perguntam sobre a qualidade do francês nos trabalhos, e posso afirmar que os professores são bem exigentes quanto a isso, não dão colher de chá.
Eu recorri a duas estratégias para obter um resultado melhor. A primeira foi a compra do programa Antidote, um corretor maravilhoso de textos. Comprei o programa na loja da Universidade de Montreal e paguei em torno de 120 $ CAD. Ele pode ser usado em até três computadores, por isso dá para dividir com outros colegas. Até os francófonos utilizam o Antidote. Ainda que contasse com a ajuda do programa, enviei alguns trabalhos (os mais longos e com maior peso de nota) para um professor corrigir a gramática. Cabe ressaltar que mesmo utilizando o Antidote é necessário que alguém leia os textos, pois muitas coisas que fazem sentido para nós podem não fazer para eles. Para vocês terem ideia de preço, o professor que enviei os trabalhos cobrou 1,50 $ CAD por página.
A segunda estratégia foi a do planejamento e organização,  fundamentais nesse primeiro semestre. Usei uma agenda onde escrevia quantas páginas deveria ler por dia para cumprir os deveres, foram em torno de 300 páginas por semana. Muitas leituras, sendo que 70% dos textos eram em inglês.
Existem alguns professores que aceitam os trabalhos em inglês, mas é preciso conversar com eles e ver a possibilidade. Eu preferi fazer todos em francês (mesmo sendo mais difícil), pois decidi ir treinando para quando for realizar a dissertação de mestrado.
Nas apresentações dos trabalhos para toda a turma, os professores pegam mais leve quanto à qualidade do francês. Eles são pacientes, se você demora um pouco para falar e até ajudam se falta alguma palavra. São mais compreensíveis nesse tipo de trabalho do que nos escritos.
Outra coisa que muita gente me pergunta é a possibilidade de trabalhar enquanto estuda. Para mim teria sido quase impossível ter boas notas e trabalhar ao mesmo tempo. A única atividade que eu fazia fora da faculdade era o trabalho voluntário no CAF (Centre d'aide à la famille) uma vez por semana. Em dezembro, já perto do final do semestre, me inscrevi em uma academia. Até novembro conseguia dar uma corrida nos finais de semana ou uma volta de bicicleta, mas depois que a temperatura ficou abaixo dos 5°C, ficou bem difícil.
As aulas do semestre de inverno começaram nessa primeira semana de janeiro e terminam no final de abril. Depois tem o semestre de verão com ateliês de uma semana em junho e aulas o dia inteiro. Muitos optam por não fazê-los, pois preferem trabalhar nesse período onde a oferta é grande aqui em Montreal.

Como vocês podem ver, nem tudo são flores. No entanto, viver aqui é realmente maravilhoso, além da possibilidade de estudar na Université de Montréal (melhor Universidade de língua francesa do mundo segundo a Times Higher Education).  É preciso estar ciente de que vai precisar se empenhar muito para obter bons resultados. Abrir mão de finais de semana, de saídas, de encontro com amigos, de séries de TV, entre outros tipos de lazer e prazer, são alguns dos desafios. Não bastasse tudo isso, ainda há o fato de que estamos longe da família, deixando tudo um pouco mais difícil. A melhor forma de minimizar essa falta é fazer o que muitos fazem, como eu também fiz, vim na companhia do meu marido. Boa sorte!!!





sábado, 10 de outubro de 2015

Bolsa na Université de Montréal

Bonjour!

Hoje vou falar de um tema que interessa muita gente: a possibilidade de bolsas na Université de Montréal. Primeiro é preciso saber que não é fácil, mas se você teve boas notas na faculdade, tem um bom currículo, uma carta de recomendação ótima, fica mais fácil.
Existem vários tipos de bolsas, mas a mais "requisitada" é a chamada Bolsa C (exemption des droits supplémentaires de scolarité) ou seja, quem ganha a bolsa paga a mesma coisa que os quebequenses.
O preços estão neste link em português. Mas para resumir, o valor no mestrado e no doutorado na UdeM chega a 7.800 dólares canadenses, mais algumas taxas obrigatórias, fica tudo em torno de 8.600 dólares por sessão (são três durante o ano: outono, inverno e verão). Com a bolsa C, que eu tive a sorte de conseguir, o valor baixa para 1.146 dólares + algumas taxas que incluem o seguro saúde. É um grande alívio!
O cálculo é o seguinte: 3 semestres de cursos e mais 2 ou 3 fazendo a tese ou o estágio.
Ou seja 8.600 (x3) + 2 ou 3 (x400 + taxas) = 26.600 $ CAD - na opção TESE (mémoire) que foi a que eu escolhi. Eu explico: Quando você se inscreve no mestrado existem três opções: com mémoire (monografia), stage (estágio) ou travail dirigé (um trabalho um pouco menor que a monografia). Eu realmente não sei dizer o preço que fica para quem faz o estágio ou o trabalho dirigido, mas talvez neste link você encontre alguns detalhes. Com a mémoire eu sei porque é a modalidade que estou fazendo.
Então o valor com a bolsa fica em torno de 4.238 $ CAD toda a faculdade, mais algumas taxas que dependem do curso que você escolheu. O seguro saúde sai por mais ou menos 348 $ CAD por sessão.
O meu caminho para conseguir a bolsa foi o seguinte: assim que fui admitida no mestrado eu mandei um pedido para a Bolsa C. Escrevi uma carta de motivação, uma carta de recomendação (que já tinha mandado para ser aceita na UdeM), mandei meu histórico da faculdade já traduzido, um formulário que está neste link, e uma prova de um pedido de bolsa no Brasil. Uma das exigências da UdeM é que o candidato tenha feito o pedido de bolsa no seu país de origem antes de pedir para eles. O que você deve fazer é mandar um email para uma instituição brasileira (como a Capes) e fazer o pedido, com a resposta negativa (até porque eles dão bolsa só para doutorado) você pede a bolsa para a UdeM. Eu traduzi a carta da Capes para o francês e enviei. Mandei tudo para a coordenadora do curso e tive a resposta há duas semanas! Consegui a bolsa! E detalhe: eu ainda não tinha pagado NADA da faculdade. Aqui funciona assim: você começa as aulas no dia primeiro de setembro (no semestre de outono) e deve pagar o semestre até o dia 15 de outubro. Foi bem perto da data limite para pagar que chegou minha resposta, mas depende de cada caso. Tenho uma amiga que ganhou logo que foi aceita, e tem outros que tem que pagar o primeiro semestre para depois pedir de novo a bolsa.
No grupo do facebook da Université de Montréal para brasileiros tem vários exemplos de quem já ganhou a bolsa e como fizeram.
Fora essa bolsa, existem outras que vocês podem ver por esse link.
Se eu esqueci de esclarecer alguma coisa podem mandar perguntas pelos comentários.

Bisous!



domingo, 4 de outubro de 2015

Estudar na Université de Montréal

Nesse post vou explicar um pouco como funciona o processo de inscrição/admissão na Universidade de Montréal (UdeM). Vou falar sobre a inscrição no mestrado, que na França é chamado de master e aqui no Québec, de maîtrise.
O maîtrise faz parte do segundo ciclo de estudos no Québec e dura, geralmente, dois anos. Em Montreal existem quatro grandes universidades: Université de Montréal, Université do Québec à Montréal, McGill University e Concordia University. Sendo as duas primeiras francófonas e as últimas, em língua inglesa.
O primeiro passo é pesquisar qual delas oferece o curso que você procura. Eu me interessei pela Université de Montréal porque gostei muito da estrutura do programa de Relações Internacionais e também porque o grupo no facebook da UdeM para Brasileiros ajudou bastante no processo.
Depois de encontrar o curso, precisei preencher um formulário online e pagar uma taxa de cerca de 92 dólares não-reembolsáveis, ou seja, mesmo se não tivesse sido aceita eles não devolveriam o dinheiro. Em seguida, tive que mandar pelo correio alguns documentos (contratei o serviço da DHL que faz a entrega em três dias úteis). Muito importante: é preciso traduzir tudo com tradutor juramentado. Na UdeM as traduções poderiam ser tanto em francês quanto em inglês. Os documentos que enviei foram: certidão de nascimento, diploma da graduação, certificado de dois cursos de extensão, certificado dos cursos de línguas e as notas da faculdade (histórico escolar). Enviei uma cópia autenticada do original em português de cada um desses documentos mais uma cópia autenticada das traduções juramentadas. Não envie seus documentos nem as traduções originais, mais tarde você vai precisar deles.
Além disso tudo, mandei meu currículo em francês e uma carta de motivação falando quais os meus objetivos na UdeM, porque eu gostaria de estudar lá e expliquei quais eram as minhas experiências profissionais. A Universidade também pede duas cartas de recomendação assinadas. Eu mandei três (só para garantir). Pedi para dois ex-professores da faculdade e uma para minha ex-chefe. Se as cartas vierem em português você deve traduzí-las para o francês ou inglês, mas não precisa ser tradução juramentada. Eu tive que traduzir uma delas e depois levei para a minha chefe assinar a carta em francês.
Bom, após tudo isso feito é só esperar. Não dá para dizer quanto tempo demora, mas a média é de um até três meses para chegar a resposta. O comunicado é enviado por email mesmo. E então, depois da tão esperada resposta, é que a tensão realmente começa.
Os estudantes estrangeiros precisam pedir o CAQ (Certificado de aceitação do Québec) para o governo. Você precisa entrar no site da imigração, preencher um formulário online e pagar uma taxa de 109 $ CA. Após, enviar os documentos pelo correio para o Ministério da imigração em Montreal. Tive que mandar uma foto 35 mm x 45 mm com meu nome escrito atrás, comprovante do pagamento da demanda do CAQ feito pela internet, cópia da primeira página do passaporte e a carta de admissão da universidade. Importante: só a pessoa que vai estudar precisa de um CAQ, acompanhantes não precisam.
Depois que os documentos chegaram, a resposta veio em quase um mês. E então é o momento de pedir o visto de estudos. No meu caso pedi o de estudos para mim e o de trabalho para o marido (acompanhantes de estudantes tem o direito de trabalhar). Fizemos tudo pela STB em Porto Alegre. Foi um processo demorado, tivemos que mandar todos os nossos documentos (em português) para São Paulo, inclusive extratos bancários para comprovar que podíamos pagar a faculdade e nos manter durante um período sem trabalhar. O visto demorou dois meses para chegar, mais ou menos 12 dias antes do dia que estávamos programando para viajar. Compramos a passagem faltando 10 dias e chegamos aqui uma semana antes de começar as aulas. Acho que é o tempo ideal para procurar apartamento e se acomodar antes da verdadeira "loucura" começar.

Sobre as aulas, como consegui uma bolsa e a adaptação eu conto em outro post!

Au revoir!

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Mudança para Montreal

Hi, Bonjour!

Escrevo este post para contar um pouco como foi a nossa volta para Montreal. Sempre vejo muita gente perguntando nos grupos no facebook como é morar aqui, estudar em uma Universidade, trabalhar... enfim, hoje vou responder algumas perguntas relacionadas a mudança. No ano passado viemos passar um curto período de 5 meses, mas desta vez vamos ficar pelo menos dois anos.

Chegamos em Montreal (pela segunda vez) no dia 26 de agosto de 2015. Reservamos um quarto pelo airbnb e ficamos uma semana hospedados para conseguir olhar com calma os apartamentos para alugar. Pesquisamos bastante pelo site kijiji e até consultamos com uma corretora de imóveis brasileira aqui de Montreal. Até pensamos alugar algum apartamento enquanto estávamos no Brasil, mas ainda bem que não o fizemos. As fotos nos sites, normalmente, não tem NADA a ver com o local. Além do que é importante você ver as condições do prédio, da vizinhança... muitos detalhes que só pessoalmente conseguimos avaliar. Foi em uma dessas pesquisas pelos sites (depois de visitarmos muitos apartamentos péssimos) que achamos o nosso. Lindo, novinho e muito bem localizado. Conversamos com a proprietária e em 10 minutos assinamos o contrato de aluguel por um ano. É importante lembrar que os apartamentos se encaixam nas seguintes categorias aqui: 1 e 1/2, 2 e 1/2, 3 e 1/2 e assim por diante. O 1/2 se refere ao banheiro, e o número que está na frente é em relação ao número de cômodos. A primeira opção que citei significa que o apartamento só tem um cômodo, como um quarto e um banheiro. O segundo pode ser que seja um quarto e uma cozinha e um banheiro. O terceiro é um quarto, uma cozinha, uma sala e um banheiro. E depois disso cada número que vai aumentando mostra o número de quartos, normalmente. O nosso é um 4 e 1/2, ou seja, dois quartos, uma sala, uma cozinha e um banheiro.
Já viemos preparados para comprar móveis, pois eu já tinha pesquisado que a maioria dos apartamentos vinha sem nada. Fomos em busca de geladeira, fogão, máquina de lavar roupa e de secar em uma loja que vendia produtos usados. Pagamos cerca de mil dólares pelos quatro itens. Todos semi novos, mas de ótima qualidade. Acho que vale muito a pena comprar os eletrodomésticos de segunda mão, os novos são muito caros.
Os móveis que decidimos comprar novos porque lemos bastante sobre uma praga chamada de bed bugs ou punaise de lit, em francês. São pequenos insetos que se infiltram na sua casa e é muito difícil se livrar deles. E como a facilidade de eles virem impregnados em móveis usados era grande, resolvemos comprar tudo na IKEA.
A loja é realmente GIGANTE! O ideal é passar um dia lá dentro. Nós já tínhamos feito uma lista de tudo que precisávamos, então fomos direto ao ponto. O serviço aqui é muito diferente do Brasil. A taxa de entrega dos móveis custou cerca de $ 100 CAD. E detalhe: tivemos que montar tudo. Foi um exercício e tanto para o marido. Demoramos uns quatro dias para montar a casa inteira, mas valeu a pena. Existem outras lojas de móveis, mas nenhuma bate em preço a IKEA. Além de os móveis serem lindos, são de boa qualidade. Outra coisa importante de saber é que eles entregam somente os móveis mesmo, os considerados "acessórios" como pratos, copos, panelas, travesseiros entre outros, tivemos que carregar. Nós pegamos um táxi grande, mas há quem opte por alugar um caminhão de mudança mesmo. E é engraçado porque vimos família inteiras na loja para ajudar com o carregamento.
Bom, depois disso foi a hora de termos um número de celular daqui, uma conta no banco, um planejamento mensal... detalhes que eu conto em outro post. Espero que gostem!

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

ONOIR - Uma experiência incrível no escuro

Imagine a cena: Você entra em um restaurante totalmente no escuro para jantar. O garçom, que é cego, traz os pratos. A comida chega e você inicia comendo com os talheres, mas no fim, tem que utilizar as mãos porque é impossível ver o que ainda tem no prato. A atenção se volta totalmente para o sabor da comida, para as conversas ao lado, e nos damos conta de como o tato é importante para acertar o garfo dentro da boca. Pois é, essa experiência pode ser vivida por qualquer um que reserve uma mesa no restaurante "ONOIR" que tem em Montreal ou Toronto.
O primeiro passo é deixar a bolsa e os celulares dentro de um armário na entrada do restaurante (afinal, é proibido qualquer luz dentro da sala onde as pessoas jantam). Na recepção, onde tem luz, você olha o cardápio e pede o que quiser; mas atenção, não dá para ir só para experimentar a sobremesa. ONOIR vende oferece dois serviços que são: entrada + prato principal ou entrada + prato principal + sobremesa, que tem o custo em torno de 40 dólares por pessoa. O cardápio de drinks também fica disponível para escolha logo na chegada.
Cardápio escolhido, o garçom busca os clientes. Com a mão no ombro do nosso guia, não corremos o risco de bater em cadeiras e mesas dentro da sala de jantar. Ele nos explica como funciona e vai trazendo os pratos que já pedimos. Qualquer dúvida é só chamar pelo nome o garçom que ele aparece. Para ir ao banheiro, a mesma coisa. Ele te leva até o lavabo que tem uma luz bem fraquinha e depois retorna até à sua mesa. Ficamos duas horas dentro do restaurante comendo devagar e decifrando o prato surpresa que o Rafa pediu.
O objetivo é justamente esse, que as pessoas possam prestar atenção no aroma e no gosto da comida. E claro, depois algum tempo na escuridão total, sentir e tentar entender como é a vida dos cegos. Todos os garçons são cegos e oferecem um atendimento de primeira qualidade.
Foi uma experiência incrível que eu, com certeza, viveria de novo. Poucas vezes temos a chance de nos concentrar somente no gosto da comida quando vamos a um restaurante. O melhor de tudo, é que ninguém olha para você e nem para sua roupa!
Nesse ambiente nos concentramos em coisas simples como, segurar corretamente o copo, firmar o garfo e a faca para não deixar nada cair no chão. Surge um sentimento de compaixão por essas pessoas que vivem uma vida sem enxergar nem um fio de luz e seguem lutando para preservar sua dignidade, seu lugar no mundo.



sábado, 14 de fevereiro de 2015

Biblioteca pública de Montreal

Uma das coisas que mais sinto falta de Montreal, além do frio, é da Biblioteca Pública. Existem vários centros de lazer pelos diferentes bairros da metrópole, e são boas opções para quem não quer se deslocar até o centro da cidade. Eu recomendo, até para quem não gosta de ler, visitar, pelo menos uma vez a Bibliothèque et archives nationales du Québec. Além do acervo fantástico de livros há também o de CDs e filmes.
Descendo do metrô na Berri-UQAM é só subir as escadas e entrar na Biblioteca. Ela abre de terça à domingo.
A Biblioteca que fica interligada com a Université du Québec à Montréal, é um verdadeiro paraíso para quem ama ler, como eu. Milhares de livros, revistas, jornais, cd's, dvd's e filmes estão disponíveis para empréstimo. Qualquer pessoa pode entrar na biblioteca e utilizar os serviços, mas para levar para casa é preciso fazer uma carteirinha, e o melhor de tudo, é que ela não custa nada. Quem está passando uma temporada em Montreal pode apresentar um comprovante de residência, ou se inscrever pela internet, esperar uma carta que é entregue na sua casa em menos de uma semana e utilizá-la para a inscrição na biblioteca. Depois disso, é só curtir e procurar uns bons clássicos para ler.
O legal é que mesmo no Brasil, consigo acessar o site (https://www.banq.qc.ca/accueil/) e baixar alguns ebooks e artigos gratuitamente.
No início do inverno, quando as temperaturas já baixavam dos -15°C, íamos aos domingos à biblioteca para retirar DVDs dos seriados de TV e livros. Para nossa surpresa, encontrávamos muita gente sentada nos sofás, trabalhando em computadores, estudando dentro da biblioteca. Os canadenses adoram ler, estudar, se informar sobre o que acontece no mundo. Até os pequenos são assim. O andar de baixo da biblioteca é reservado para as crianças. Conversei com uma mãe na feira do livro de Montreal, que aconteceu em novembro de 2014, e ela disse que ia a biblioteca pública pelo menos uma vez por mês porque o filho de oito anos insistia. Quando eu perguntei a ele o que preferia ganhar de aniversário, um jogo de video game ou um livro, ele foi determinado na resposta: "um livro, claro"! E ainda fez uma cara de quem pensa "que pergunta besta essa"!
Realmente, o número de crianças na feira do livro e dentro da biblioteca chamou minha atenção. O governo investe em eventos e atividades ligados à leitura para todas as idades. Dentro da biblioteca são oferecidas palestras e exposições gratuitas. Normalmente, sobre algum autor do Québec.
Vale a pena visitar a biblioteca, nem que seja por um dia. Quem mora em Montreal não pode perder a chance de se inscrever e aproveitar tudo que a cidade tem a oferecer em termos de cultura e aprendizado. O local é fechado e aconchegante, próprio para passar uma boa tarde de inverno.
Biblioteca de Montreal




quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Melhores restaurantes de Montreal

O bom de morar em uma metrópole é que podemos degustar pratos de todas as partes do mundo. A culinária francesa, inglesa, indiana, grega, brasileira, mexicana e americana estão presentes por todos os cantos de Montreal. O famoso prato canadense, o poutine (expliquei sobre ele neste post), está no menu de muitos restaurantes na cidade. Mas além deste, existe o conhecido sanduíche de smoked meat (carne defumada) que também é muito popular. O lugar mais clássico que serve o sanduíche é o Schwartz's.

Schwartz's: um dos restaurantes mais antigos e tradicionais de Montreal fica no boulevard St-Laurent. Fundado em 1928 por um imigrante judeu da Romênia, o restaurante vende a melhor carne defumada da cidade. O diferencial é que eles não usam conservantes na carne. O alimento é preparado com uma "mistura secreta" de ervas e temperos marinados durante 10 dias. 
Entrar no restaurante é como voltar 80 anos. O local é antigo e pequeno. Ideal para chegar, comer alguma coisa e sair. Em Montreal não existe o hábito de ficar horas conversando depois de comer, como no Brasil. 
Eu não como carne vermelha e pedi um sanduíche de peito de peru que não gostei. Meu namorado comeu o de carne e aprovou. Vale a pena ir no Schwartz's para conhecer e experimentar a tão famosa smoked meat

Baton Rouge: Uma Steakhouse canadense ao estilo Outback. O ambiente é legal tanto para um grupo de amigos, quanto para família, ou um jantar a dois. O Rafa pediu o "Prime Rib", uma costela com vegetais e batata doce frita (imperdível). Tinha duas opções, de 10 oz (280 gramas) e de 14 oz (392 gramas). O de 10 oz é ideal para uma pessoa. Eu fui na tradicional Ceasar Salad e não me arrependi. Na segunda vez que fomos, em Toronto, pedi a Chicken Tenders e não gostei. Por isso, é melhor ir na tradicional.
Existem três unidades do Baton Rouge em Montreal. Uma no Complexe Desjardins, uma perto do Center Bell e outra na estação Namur. Em Toronto um dos restaurantes é no popular Eaton Center e outro na frente da CN Tower.

Dirty Dogs: O nome e o tamanho do lugar não animam muito, mas não se deixe enganar pelas aparências. O Dirty Dogs tem, sem dúvidas, o melhor cachorro-quente de Montreal. Um dos mais pedidos é o cachorro com macarrão e queijo, o tradicional Mac&Cheese americano. Pedi um com a salsicha vegetariana e achei incrível. As calorias são incontáveis, mas quem se preocupa com isso no inverno canadense? Fazemos de tudo para manter o corpo aquecido! E comer é indispensável. O importante é não ficar com a consciência pesada ao experimentar as maravilhas que Montreal tem a oferecer. O Dirty Dogs, com certeza, está entre elas.

Bagel St Viateur: Um dos lugares mais aconchegantes para comer um bagel e tomar um café em uma tarde chuvosa. Ou mesmo de sol, afinal bagels são bons em qualquer momento. Existem quatro restaurantes que você pode tanto pegar para levar como sentar e aproveitar o ambiente. Pedimos um bagel de carne, de novo a smoked meat, e um de salmão defumado. Foi i-n-c-r-í-v-e-l! O custo sai em torno de $ 12. Os pratos são bem servidos para uma pessoa.

A&W: Afim de comer um fast-food, mas de saco cheio de McDonalds e Burger King? É a vez de experimentar o A&W, que é canadense, e, melhor ainda, garante a qualidade do frango e da carne sem antibióticos. Os sanduíches são muito bons e a cebola frita de acompanhamento, melhor ainda. Existem vários pela cidade e um deles perto da estação Mount-Royal. Confesso que é o único fast- food que me dá total confiança na hora de comer porque é comprovado que eles não trabalham com carnes de gado ou frango que contenham hormônios.

Brits & Chips: O melhor lugar para comer uma deliciosa (e gordurosa) comida britânica é no Brits & Chips. O famoso peixe frito com batata frita é o prato chefe da casa. O legal é que tem muitas opções de peixe e entre elas um saboroso filé de salmão, de haddock ou até de merluza. O ambiente é legal e normalmente tem uma fila pequena na frente, mas vale a pena!

Espero que gostem das dicas!

Schwartz's 

Prime Rib no Baton Rouge
Dirty Dogs 
Cachorro-quente com macarrão e queijo 
Cachorro-quente com linguiça de carne, bacon e ovo 
Bagel de carne no St Viateur 
Bacon de salmão no St Viateur 
A&W - fastfood canadense
A&W
Brits & Chips



Visitantes