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quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Duas dicas de bons cafés em Montreal

Anticafé Montréal 
Adoro descobrir lugares novos na cidade e aqui, diga-se de passagem, não é uma tarefa muito difícil. Fico impressionada com a criatividade dos empreendedores. Há poucos dias fui no Anticafé que é muito bem localizado, na Place-des-Arts em Montréal. A proposta é a seguinte: "faites comme chez vous" - faça como se estivesse em casa. Ao chegar no café é preciso tirar os sapatos (hábito maravilhoso que os canadenses têm e nós adquirimos ao nos mudarmos para cá), o casaco, colocar alguma das pantufas disponíveis para empréstimo e escolher algum lugar confortável para sentar. Pode ser em alguns dos sofás, puffs, poltronas ou mesmo nas cadeiras. O pagamento é feito conforme o tempo que você fica no local. A primeira hora custa 3 $ CAD e a hora adicional 2 $ CAD. Por esse valor você bebe chá e café à vontade e ainda pode comer quantos cookies e biscoitos quiser. O ambiente é muito legal e realmente nos faz sentir em casa. Muitas pessoas vão lá para ler, estudar ou mesmo encontrar com os amigos. Preste atenção na decoração: os quadros espalhados estão à venda assim como alguns móveis vintage. Alguns dias à noite tem grupos de conversação de francês, inglês, espanhol ou até japonês. A programação pode ser acompanhada na página do facebook do café, é só clicar aqui

Padoca Patisserie Brésilienne
Sabe quando dá aquela vontade de comer uma coxinha, um pastel, um pão de queijo, ou melhor ainda, uma empadinha? A saudade de casa aumenta e você fica pensando porque o Starbucks, o Second Cup ou qualquer outro café por aqui só oferecem muffins, cupcakes, cookies e uma infinidade de opções doces e quase nada de salgado. Tem vezes em que tudo que queremos é um pequeno pão de queijo, mas aqui é quase impossível achar algum lanche pequeno, tudo é muito grande e, na maioria das vezes, doce. A Padoca foi uma surpresa muito agradável. Levei um casal de amigos da Bulgária para conhecer o local e fiquei receosa de que achassem tudo muito gorduroso, mas no final das contas eles adoraram e até planejam voltar. O pastel é frito na hora, feito no capricho. O preço é bem acessível também. A coxinha custa 3,50 $ CAD, o pão de queijo 0,50 $ CAD e o brigadeiro 1 $.  A Padoca fica perto do metro Berri-UqaM, e as informações sobre horários de funcionamento você confere nesse link.

Anticafé em frente da Place-des-Arts

Cookies à vontade no Anticafé

Padoca
Coxinha de frango e queijadinha


sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

Université de Montréal: desafios em estudar em outra língua

Terminado o primeiro semestre de aulas do mestrado posso escrever sobre os maiores desafios desta primeira etapa. Não quero assustar ninguém, mas de setembro à dezembro vivi para os estudos! Foi difícil, deu dor de cabeça, cansaço, estresse... mas no final, valeu a pena. O resultado das disciplinas provam isso. A sensação de alívio e de dever cumprido supera todos sentimentos anteriores.
Conforme mencionei no post anterior, fiz três disciplinas (mesmo que o indicado para estudantes internacionais no começo sejam duas). O mestrado em relações internacionais é multidisciplinar, podemos optar por disciplinas de política, economia, direito, sociologia, antropologia, criminologia, línguas, entre outras. Em algumas disciplinas, como a de criminologia que escolhi, tive colegas que tinham feito a graduação em criminologia portanto já tinham muitos conhecimentos sobre o assunto, enquanto eu não tinha nenhuma base. Tive de correr atrás para tentar ficar em sincronia com a turma. Felizmente os colegas foram solidários, auxiliando nas dificuldades, inclusive, o professor.
O que pude perceber é que não existe tratamento diferenciado por parte dos professores, eles tratam iguais estrangeiros, franceses e quebequenses que têm a vantagem de terem como língua materna a francesa. Eu não tive nenhuma prova até agora, mas em compensação realizei diversos trabalhos. Muitas pessoas me perguntam sobre a qualidade do francês nos trabalhos, e posso afirmar que os professores são bem exigentes quanto a isso, não dão colher de chá.
Eu recorri a duas estratégias para obter um resultado melhor. A primeira foi a compra do programa Antidote, um corretor maravilhoso de textos. Comprei o programa na loja da Universidade de Montreal e paguei em torno de 120 $ CAD. Ele pode ser usado em até três computadores, por isso dá para dividir com outros colegas. Até os francófonos utilizam o Antidote. Ainda que contasse com a ajuda do programa, enviei alguns trabalhos (os mais longos e com maior peso de nota) para um professor corrigir a gramática. Cabe ressaltar que mesmo utilizando o Antidote é necessário que alguém leia os textos, pois muitas coisas que fazem sentido para nós podem não fazer para eles. Para vocês terem ideia de preço, o professor que enviei os trabalhos cobrou 1,50 $ CAD por página.
A segunda estratégia foi a do planejamento e organização,  fundamentais nesse primeiro semestre. Usei uma agenda onde escrevia quantas páginas deveria ler por dia para cumprir os deveres, foram em torno de 300 páginas por semana. Muitas leituras, sendo que 70% dos textos eram em inglês.
Existem alguns professores que aceitam os trabalhos em inglês, mas é preciso conversar com eles e ver a possibilidade. Eu preferi fazer todos em francês (mesmo sendo mais difícil), pois decidi ir treinando para quando for realizar a dissertação de mestrado.
Nas apresentações dos trabalhos para toda a turma, os professores pegam mais leve quanto à qualidade do francês. Eles são pacientes, se você demora um pouco para falar e até ajudam se falta alguma palavra. São mais compreensíveis nesse tipo de trabalho do que nos escritos.
Outra coisa que muita gente me pergunta é a possibilidade de trabalhar enquanto estuda. Para mim teria sido quase impossível ter boas notas e trabalhar ao mesmo tempo. A única atividade que eu fazia fora da faculdade era o trabalho voluntário no CAF (Centre d'aide à la famille) uma vez por semana. Em dezembro, já perto do final do semestre, me inscrevi em uma academia. Até novembro conseguia dar uma corrida nos finais de semana ou uma volta de bicicleta, mas depois que a temperatura ficou abaixo dos 5°C, ficou bem difícil.
As aulas do semestre de inverno começaram nessa primeira semana de janeiro e terminam no final de abril. Depois tem o semestre de verão com ateliês de uma semana em junho e aulas o dia inteiro. Muitos optam por não fazê-los, pois preferem trabalhar nesse período onde a oferta é grande aqui em Montreal.

Como vocês podem ver, nem tudo são flores. No entanto, viver aqui é realmente maravilhoso, além da possibilidade de estudar na Université de Montréal (melhor Universidade de língua francesa do mundo segundo a Times Higher Education).  É preciso estar ciente de que vai precisar se empenhar muito para obter bons resultados. Abrir mão de finais de semana, de saídas, de encontro com amigos, de séries de TV, entre outros tipos de lazer e prazer, são alguns dos desafios. Não bastasse tudo isso, ainda há o fato de que estamos longe da família, deixando tudo um pouco mais difícil. A melhor forma de minimizar essa falta é fazer o que muitos fazem, como eu também fiz, vim na companhia do meu marido. Boa sorte!!!





sábado, 10 de outubro de 2015

Bolsa na Université de Montréal

Bonjour!

Hoje vou falar de um tema que interessa muita gente: a possibilidade de bolsas na Université de Montréal. Primeiro é preciso saber que não é fácil, mas se você teve boas notas na faculdade, tem um bom currículo, uma carta de recomendação ótima, fica mais fácil.
Existem vários tipos de bolsas, mas a mais "requisitada" é a chamada Bolsa C (exemption des droits supplémentaires de scolarité) ou seja, quem ganha a bolsa paga a mesma coisa que os quebequenses.
O preços estão neste link em português. Mas para resumir, o valor no mestrado e no doutorado na UdeM chega a 7.800 dólares canadenses, mais algumas taxas obrigatórias, fica tudo em torno de 8.600 dólares por sessão (são três durante o ano: outono, inverno e verão). Com a bolsa C, que eu tive a sorte de conseguir, o valor baixa para 1.146 dólares + algumas taxas que incluem o seguro saúde. É um grande alívio!
O cálculo é o seguinte: 3 semestres de cursos e mais 2 ou 3 fazendo a tese ou o estágio.
Ou seja 8.600 (x3) + 2 ou 3 (x400 + taxas) = 26.600 $ CAD - na opção TESE (mémoire) que foi a que eu escolhi. Eu explico: Quando você se inscreve no mestrado existem três opções: com mémoire (monografia), stage (estágio) ou travail dirigé (um trabalho um pouco menor que a monografia). Eu realmente não sei dizer o preço que fica para quem faz o estágio ou o trabalho dirigido, mas talvez neste link você encontre alguns detalhes. Com a mémoire eu sei porque é a modalidade que estou fazendo.
Então o valor com a bolsa fica em torno de 4.238 $ CAD toda a faculdade, mais algumas taxas que dependem do curso que você escolheu. O seguro saúde sai por mais ou menos 348 $ CAD por sessão.
O meu caminho para conseguir a bolsa foi o seguinte: assim que fui admitida no mestrado eu mandei um pedido para a Bolsa C. Escrevi uma carta de motivação, uma carta de recomendação (que já tinha mandado para ser aceita na UdeM), mandei meu histórico da faculdade já traduzido, um formulário que está neste link, e uma prova de um pedido de bolsa no Brasil. Uma das exigências da UdeM é que o candidato tenha feito o pedido de bolsa no seu país de origem antes de pedir para eles. O que você deve fazer é mandar um email para uma instituição brasileira (como a Capes) e fazer o pedido, com a resposta negativa (até porque eles dão bolsa só para doutorado) você pede a bolsa para a UdeM. Eu traduzi a carta da Capes para o francês e enviei. Mandei tudo para a coordenadora do curso e tive a resposta há duas semanas! Consegui a bolsa! E detalhe: eu ainda não tinha pagado NADA da faculdade. Aqui funciona assim: você começa as aulas no dia primeiro de setembro (no semestre de outono) e deve pagar o semestre até o dia 15 de outubro. Foi bem perto da data limite para pagar que chegou minha resposta, mas depende de cada caso. Tenho uma amiga que ganhou logo que foi aceita, e tem outros que tem que pagar o primeiro semestre para depois pedir de novo a bolsa.
No grupo do facebook da Université de Montréal para brasileiros tem vários exemplos de quem já ganhou a bolsa e como fizeram.
Fora essa bolsa, existem outras que vocês podem ver por esse link.
Se eu esqueci de esclarecer alguma coisa podem mandar perguntas pelos comentários.

Bisous!



domingo, 4 de outubro de 2015

Estudar na Université de Montréal

Nesse post vou explicar um pouco como funciona o processo de inscrição/admissão na Universidade de Montréal (UdeM). Vou falar sobre a inscrição no mestrado, que na França é chamado de master e aqui no Québec, de maîtrise.
O maîtrise faz parte do segundo ciclo de estudos no Québec e dura, geralmente, dois anos. Em Montreal existem quatro grandes universidades: Université de Montréal, Université do Québec à Montréal, McGill University e Concordia University. Sendo as duas primeiras francófonas e as últimas, em língua inglesa.
O primeiro passo é pesquisar qual delas oferece o curso que você procura. Eu me interessei pela Université de Montréal porque gostei muito da estrutura do programa de Relações Internacionais e também porque o grupo no facebook da UdeM para Brasileiros ajudou bastante no processo.
Depois de encontrar o curso, precisei preencher um formulário online e pagar uma taxa de cerca de 92 dólares não-reembolsáveis, ou seja, mesmo se não tivesse sido aceita eles não devolveriam o dinheiro. Em seguida, tive que mandar pelo correio alguns documentos (contratei o serviço da DHL que faz a entrega em três dias úteis). Muito importante: é preciso traduzir tudo com tradutor juramentado. Na UdeM as traduções poderiam ser tanto em francês quanto em inglês. Os documentos que enviei foram: certidão de nascimento, diploma da graduação, certificado de dois cursos de extensão, certificado dos cursos de línguas e as notas da faculdade (histórico escolar). Enviei uma cópia autenticada do original em português de cada um desses documentos mais uma cópia autenticada das traduções juramentadas. Não envie seus documentos nem as traduções originais, mais tarde você vai precisar deles.
Além disso tudo, mandei meu currículo em francês e uma carta de motivação falando quais os meus objetivos na UdeM, porque eu gostaria de estudar lá e expliquei quais eram as minhas experiências profissionais. A Universidade também pede duas cartas de recomendação assinadas. Eu mandei três (só para garantir). Pedi para dois ex-professores da faculdade e uma para minha ex-chefe. Se as cartas vierem em português você deve traduzí-las para o francês ou inglês, mas não precisa ser tradução juramentada. Eu tive que traduzir uma delas e depois levei para a minha chefe assinar a carta em francês.
Bom, após tudo isso feito é só esperar. Não dá para dizer quanto tempo demora, mas a média é de um até três meses para chegar a resposta. O comunicado é enviado por email mesmo. E então, depois da tão esperada resposta, é que a tensão realmente começa.
Os estudantes estrangeiros precisam pedir o CAQ (Certificado de aceitação do Québec) para o governo. Você precisa entrar no site da imigração, preencher um formulário online e pagar uma taxa de 109 $ CA. Após, enviar os documentos pelo correio para o Ministério da imigração em Montreal. Tive que mandar uma foto 35 mm x 45 mm com meu nome escrito atrás, comprovante do pagamento da demanda do CAQ feito pela internet, cópia da primeira página do passaporte e a carta de admissão da universidade. Importante: só a pessoa que vai estudar precisa de um CAQ, acompanhantes não precisam.
Depois que os documentos chegaram, a resposta veio em quase um mês. E então é o momento de pedir o visto de estudos. No meu caso pedi o de estudos para mim e o de trabalho para o marido (acompanhantes de estudantes tem o direito de trabalhar). Fizemos tudo pela STB em Porto Alegre. Foi um processo demorado, tivemos que mandar todos os nossos documentos (em português) para São Paulo, inclusive extratos bancários para comprovar que podíamos pagar a faculdade e nos manter durante um período sem trabalhar. O visto demorou dois meses para chegar, mais ou menos 12 dias antes do dia que estávamos programando para viajar. Compramos a passagem faltando 10 dias e chegamos aqui uma semana antes de começar as aulas. Acho que é o tempo ideal para procurar apartamento e se acomodar antes da verdadeira "loucura" começar.

Sobre as aulas, como consegui uma bolsa e a adaptação eu conto em outro post!

Au revoir!

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Mudança para Montreal

Hi, Bonjour!

Escrevo este post para contar um pouco como foi a nossa volta para Montreal. Sempre vejo muita gente perguntando nos grupos no facebook como é morar aqui, estudar em uma Universidade, trabalhar... enfim, hoje vou responder algumas perguntas relacionadas a mudança. No ano passado viemos passar um curto período de 5 meses, mas desta vez vamos ficar pelo menos dois anos.

Chegamos em Montreal (pela segunda vez) no dia 26 de agosto de 2015. Reservamos um quarto pelo airbnb e ficamos uma semana hospedados para conseguir olhar com calma os apartamentos para alugar. Pesquisamos bastante pelo site kijiji e até consultamos com uma corretora de imóveis brasileira aqui de Montreal. Até pensamos alugar algum apartamento enquanto estávamos no Brasil, mas ainda bem que não o fizemos. As fotos nos sites, normalmente, não tem NADA a ver com o local. Além do que é importante você ver as condições do prédio, da vizinhança... muitos detalhes que só pessoalmente conseguimos avaliar. Foi em uma dessas pesquisas pelos sites (depois de visitarmos muitos apartamentos péssimos) que achamos o nosso. Lindo, novinho e muito bem localizado. Conversamos com a proprietária e em 10 minutos assinamos o contrato de aluguel por um ano. É importante lembrar que os apartamentos se encaixam nas seguintes categorias aqui: 1 e 1/2, 2 e 1/2, 3 e 1/2 e assim por diante. O 1/2 se refere ao banheiro, e o número que está na frente é em relação ao número de cômodos. A primeira opção que citei significa que o apartamento só tem um cômodo, como um quarto e um banheiro. O segundo pode ser que seja um quarto e uma cozinha e um banheiro. O terceiro é um quarto, uma cozinha, uma sala e um banheiro. E depois disso cada número que vai aumentando mostra o número de quartos, normalmente. O nosso é um 4 e 1/2, ou seja, dois quartos, uma sala, uma cozinha e um banheiro.
Já viemos preparados para comprar móveis, pois eu já tinha pesquisado que a maioria dos apartamentos vinha sem nada. Fomos em busca de geladeira, fogão, máquina de lavar roupa e de secar em uma loja que vendia produtos usados. Pagamos cerca de mil dólares pelos quatro itens. Todos semi novos, mas de ótima qualidade. Acho que vale muito a pena comprar os eletrodomésticos de segunda mão, os novos são muito caros.
Os móveis que decidimos comprar novos porque lemos bastante sobre uma praga chamada de bed bugs ou punaise de lit, em francês. São pequenos insetos que se infiltram na sua casa e é muito difícil se livrar deles. E como a facilidade de eles virem impregnados em móveis usados era grande, resolvemos comprar tudo na IKEA.
A loja é realmente GIGANTE! O ideal é passar um dia lá dentro. Nós já tínhamos feito uma lista de tudo que precisávamos, então fomos direto ao ponto. O serviço aqui é muito diferente do Brasil. A taxa de entrega dos móveis custou cerca de $ 100 CAD. E detalhe: tivemos que montar tudo. Foi um exercício e tanto para o marido. Demoramos uns quatro dias para montar a casa inteira, mas valeu a pena. Existem outras lojas de móveis, mas nenhuma bate em preço a IKEA. Além de os móveis serem lindos, são de boa qualidade. Outra coisa importante de saber é que eles entregam somente os móveis mesmo, os considerados "acessórios" como pratos, copos, panelas, travesseiros entre outros, tivemos que carregar. Nós pegamos um táxi grande, mas há quem opte por alugar um caminhão de mudança mesmo. E é engraçado porque vimos família inteiras na loja para ajudar com o carregamento.
Bom, depois disso foi a hora de termos um número de celular daqui, uma conta no banco, um planejamento mensal... detalhes que eu conto em outro post. Espero que gostem!

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

ONOIR - Uma experiência incrível no escuro

Imagine a cena: Você entra em um restaurante totalmente no escuro para jantar. O garçom, que é cego, traz os pratos. A comida chega e você inicia comendo com os talheres, mas no fim, tem que utilizar as mãos porque é impossível ver o que ainda tem no prato. A atenção se volta totalmente para o sabor da comida, para as conversas ao lado, e nos damos conta de como o tato é importante para acertar o garfo dentro da boca. Pois é, essa experiência pode ser vivida por qualquer um que reserve uma mesa no restaurante "ONOIR" que tem em Montreal ou Toronto.
O primeiro passo é deixar a bolsa e os celulares dentro de um armário na entrada do restaurante (afinal, é proibido qualquer luz dentro da sala onde as pessoas jantam). Na recepção, onde tem luz, você olha o cardápio e pede o que quiser; mas atenção, não dá para ir só para experimentar a sobremesa. ONOIR vende oferece dois serviços que são: entrada + prato principal ou entrada + prato principal + sobremesa, que tem o custo em torno de 40 dólares por pessoa. O cardápio de drinks também fica disponível para escolha logo na chegada.
Cardápio escolhido, o garçom busca os clientes. Com a mão no ombro do nosso guia, não corremos o risco de bater em cadeiras e mesas dentro da sala de jantar. Ele nos explica como funciona e vai trazendo os pratos que já pedimos. Qualquer dúvida é só chamar pelo nome o garçom que ele aparece. Para ir ao banheiro, a mesma coisa. Ele te leva até o lavabo que tem uma luz bem fraquinha e depois retorna até à sua mesa. Ficamos duas horas dentro do restaurante comendo devagar e decifrando o prato surpresa que o Rafa pediu.
O objetivo é justamente esse, que as pessoas possam prestar atenção no aroma e no gosto da comida. E claro, depois algum tempo na escuridão total, sentir e tentar entender como é a vida dos cegos. Todos os garçons são cegos e oferecem um atendimento de primeira qualidade.
Foi uma experiência incrível que eu, com certeza, viveria de novo. Poucas vezes temos a chance de nos concentrar somente no gosto da comida quando vamos a um restaurante. O melhor de tudo, é que ninguém olha para você e nem para sua roupa!
Nesse ambiente nos concentramos em coisas simples como, segurar corretamente o copo, firmar o garfo e a faca para não deixar nada cair no chão. Surge um sentimento de compaixão por essas pessoas que vivem uma vida sem enxergar nem um fio de luz e seguem lutando para preservar sua dignidade, seu lugar no mundo.



sábado, 14 de fevereiro de 2015

Biblioteca pública de Montreal

Uma das coisas que mais sinto falta de Montreal, além do frio, é da Biblioteca Pública. Existem vários centros de lazer pelos diferentes bairros da metrópole, e são boas opções para quem não quer se deslocar até o centro da cidade. Eu recomendo, até para quem não gosta de ler, visitar, pelo menos uma vez a Bibliothèque et archives nationales du Québec. Além do acervo fantástico de livros há também o de CDs e filmes.
Descendo do metrô na Berri-UQAM é só subir as escadas e entrar na Biblioteca. Ela abre de terça à domingo.
A Biblioteca que fica interligada com a Université du Québec à Montréal, é um verdadeiro paraíso para quem ama ler, como eu. Milhares de livros, revistas, jornais, cd's, dvd's e filmes estão disponíveis para empréstimo. Qualquer pessoa pode entrar na biblioteca e utilizar os serviços, mas para levar para casa é preciso fazer uma carteirinha, e o melhor de tudo, é que ela não custa nada. Quem está passando uma temporada em Montreal pode apresentar um comprovante de residência, ou se inscrever pela internet, esperar uma carta que é entregue na sua casa em menos de uma semana e utilizá-la para a inscrição na biblioteca. Depois disso, é só curtir e procurar uns bons clássicos para ler.
O legal é que mesmo no Brasil, consigo acessar o site (https://www.banq.qc.ca/accueil/) e baixar alguns ebooks e artigos gratuitamente.
No início do inverno, quando as temperaturas já baixavam dos -15°C, íamos aos domingos à biblioteca para retirar DVDs dos seriados de TV e livros. Para nossa surpresa, encontrávamos muita gente sentada nos sofás, trabalhando em computadores, estudando dentro da biblioteca. Os canadenses adoram ler, estudar, se informar sobre o que acontece no mundo. Até os pequenos são assim. O andar de baixo da biblioteca é reservado para as crianças. Conversei com uma mãe na feira do livro de Montreal, que aconteceu em novembro de 2014, e ela disse que ia a biblioteca pública pelo menos uma vez por mês porque o filho de oito anos insistia. Quando eu perguntei a ele o que preferia ganhar de aniversário, um jogo de video game ou um livro, ele foi determinado na resposta: "um livro, claro"! E ainda fez uma cara de quem pensa "que pergunta besta essa"!
Realmente, o número de crianças na feira do livro e dentro da biblioteca chamou minha atenção. O governo investe em eventos e atividades ligados à leitura para todas as idades. Dentro da biblioteca são oferecidas palestras e exposições gratuitas. Normalmente, sobre algum autor do Québec.
Vale a pena visitar a biblioteca, nem que seja por um dia. Quem mora em Montreal não pode perder a chance de se inscrever e aproveitar tudo que a cidade tem a oferecer em termos de cultura e aprendizado. O local é fechado e aconchegante, próprio para passar uma boa tarde de inverno.
Biblioteca de Montreal




quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Melhores restaurantes de Montreal

O bom de morar em uma metrópole é que podemos degustar pratos de todas as partes do mundo. A culinária francesa, inglesa, indiana, grega, brasileira, mexicana e americana estão presentes por todos os cantos de Montreal. O famoso prato canadense, o poutine (expliquei sobre ele neste post), está no menu de muitos restaurantes na cidade. Mas além deste, existe o conhecido sanduíche de smoked meat (carne defumada) que também é muito popular. O lugar mais clássico que serve o sanduíche é o Schwartz's.

Schwartz's: um dos restaurantes mais antigos e tradicionais de Montreal fica no boulevard St-Laurent. Fundado em 1928 por um imigrante judeu da Romênia, o restaurante vende a melhor carne defumada da cidade. O diferencial é que eles não usam conservantes na carne. O alimento é preparado com uma "mistura secreta" de ervas e temperos marinados durante 10 dias. 
Entrar no restaurante é como voltar 80 anos. O local é antigo e pequeno. Ideal para chegar, comer alguma coisa e sair. Em Montreal não existe o hábito de ficar horas conversando depois de comer, como no Brasil. 
Eu não como carne vermelha e pedi um sanduíche de peito de peru que não gostei. Meu namorado comeu o de carne e aprovou. Vale a pena ir no Schwartz's para conhecer e experimentar a tão famosa smoked meat

Baton Rouge: Uma Steakhouse canadense ao estilo Outback. O ambiente é legal tanto para um grupo de amigos, quanto para família, ou um jantar a dois. O Rafa pediu o "Prime Rib", uma costela com vegetais e batata doce frita (imperdível). Tinha duas opções, de 10 oz (280 gramas) e de 14 oz (392 gramas). O de 10 oz é ideal para uma pessoa. Eu fui na tradicional Ceasar Salad e não me arrependi. Na segunda vez que fomos, em Toronto, pedi a Chicken Tenders e não gostei. Por isso, é melhor ir na tradicional.
Existem três unidades do Baton Rouge em Montreal. Uma no Complexe Desjardins, uma perto do Center Bell e outra na estação Namur. Em Toronto um dos restaurantes é no popular Eaton Center e outro na frente da CN Tower.

Dirty Dogs: O nome e o tamanho do lugar não animam muito, mas não se deixe enganar pelas aparências. O Dirty Dogs tem, sem dúvidas, o melhor cachorro-quente de Montreal. Um dos mais pedidos é o cachorro com macarrão e queijo, o tradicional Mac&Cheese americano. Pedi um com a salsicha vegetariana e achei incrível. As calorias são incontáveis, mas quem se preocupa com isso no inverno canadense? Fazemos de tudo para manter o corpo aquecido! E comer é indispensável. O importante é não ficar com a consciência pesada ao experimentar as maravilhas que Montreal tem a oferecer. O Dirty Dogs, com certeza, está entre elas.

Bagel St Viateur: Um dos lugares mais aconchegantes para comer um bagel e tomar um café em uma tarde chuvosa. Ou mesmo de sol, afinal bagels são bons em qualquer momento. Existem quatro restaurantes que você pode tanto pegar para levar como sentar e aproveitar o ambiente. Pedimos um bagel de carne, de novo a smoked meat, e um de salmão defumado. Foi i-n-c-r-í-v-e-l! O custo sai em torno de $ 12. Os pratos são bem servidos para uma pessoa.

A&W: Afim de comer um fast-food, mas de saco cheio de McDonalds e Burger King? É a vez de experimentar o A&W, que é canadense, e, melhor ainda, garante a qualidade do frango e da carne sem antibióticos. Os sanduíches são muito bons e a cebola frita de acompanhamento, melhor ainda. Existem vários pela cidade e um deles perto da estação Mount-Royal. Confesso que é o único fast- food que me dá total confiança na hora de comer porque é comprovado que eles não trabalham com carnes de gado ou frango que contenham hormônios.

Brits & Chips: O melhor lugar para comer uma deliciosa (e gordurosa) comida britânica é no Brits & Chips. O famoso peixe frito com batata frita é o prato chefe da casa. O legal é que tem muitas opções de peixe e entre elas um saboroso filé de salmão, de haddock ou até de merluza. O ambiente é legal e normalmente tem uma fila pequena na frente, mas vale a pena!

Espero que gostem das dicas!

Schwartz's 

Prime Rib no Baton Rouge
Dirty Dogs 
Cachorro-quente com macarrão e queijo 
Cachorro-quente com linguiça de carne, bacon e ovo 
Bagel de carne no St Viateur 
Bacon de salmão no St Viateur 
A&W - fastfood canadense
A&W
Brits & Chips



sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Montreal - a cidade ideal para viver

Se eu tivesse que escolher um lugar fora do Brasil para viver, sem dúvida, seria Montreal. A cidade tem um tamanho ideal e tem tudo que uma metrópole oferece. Há teatros, cinemas, restaurantes, lojas, programação cultural imensa durante o ano além de museus para todos os gostos. A vida em Montreal é muito tranquila. A cidade tem 1,6 milhões de habitantes (censo de 2011). Gosto de comparar o tamanho dela com o de Porto Alegre, que tem 1,4 milhões de moradores.

Em 2013, Montreal registrou 27 homicídios, enquanto Porto Alegre e região metropolitana, 731 (dados até setembro/2013). O Jornal Metro de Montreal publicou que em 2013 foram contabilizados 68 homicídios em todo o Québec. No Rio Grande do Sul, somente no primeiro semestre de 2013, foram 980 homicídios, e, no mesmo período em 2014, 1.169. A população do Québec é de 8,1 milhão de habitantes e a do RS de 11,1 milhão. No Canadá inteiro (35 milhões de habitantes) foram 505 homicídios em todo o ano de 2013. A taxa de homicídio é de 1,44 a cada 100 mil habitantes. Quer saber a do Brasil? 20,4 vítimas para cada 100 mil habitantes. A taxa diminui a cada ano no Canadá, e no Brasil ela aumenta. É triste, mas é a verdade. Depois de analisar esses dados dá para entender porque nos sentimos muito mais seguros aqui.

Andar pelas ruas sem medo, pegar ônibus/metrô tarde da noite sem receio não tem preço. É claro que sinto saudades do Brasil, mas quando penso na segurança que tenho aqui, confesso que essa saudade passa logo. Não só por esse aspecto, mas pelas facilidades de Montreal. O transporte público funciona. É rápido, seguro e o preço é bom. O custo de vida do Québec é o mais barato de todo Canadá. Alugar um apartamento saí em média $ 600 a $ 800 por mês. Os residentes não pagam por saúde, tudo é gratuito e de qualidade. A faculdade saí em média $ 3 mil dólares por semestre. 
O governo encoraja os casais a terem filhos. Cada criança recebe $ 600 dólares por mês. 
Por essas facilidades e incentivos é que muitos casais pensam em imigrar para o Canadá, especialmente para o Québec. O que, muitas vezes, é um empecilho para as pessoas virem morar aqui, é a língua. Diferente de outras regiões do Canadá, o Québec exige a língua francesa dos futuros residentes. Existem vários programas de imigração e inclusive blogs que falam sobre isso. Eu indico esse: http://vieaucanada.tumblr.com/

Um outro ponto positivo são as pessoas. É claro que os brasileiros são os mais animados e felizes (pelo menos aparentemente), mas os canadenses tem uma característica exemplar: eles cuidam da própria vida. Eles não estão nem aí se o seu tênis está furado, se a camisa está suja, se a sua roupa/celular/bolsa não é de uma marca cara. Eles não ligam para o que você tem, mas, sim, para o que você é. Os canadenses não acham que um carro é sinal de status. Eles realmente não ligam se você pega ônibus/metro para trabalhar. Algumas pessoas me perguntaram porque os brasileiros são tão obcecados com beleza. A resposta, pelo menos para mim, é uma só: no Brasil a aparência abre portas. É claro que as competências contam, mas as aparências são, muitas vezes, determinantes para conseguir um trabalho. Aqui no Canadá isso não faz a menor diferença. Na hora de preencher um currículo você não deve colocar a idade, o estado civil e a foto. Isso porque todos esses itens são considerados irrelevantes na hora de contratar alguém. O Canadá não quer saber se você tem 50 anos, têm três filhos e não tem uma boa aparência. Se você tem um bom currículo e estudou, o emprego é seu. É um país livre de preconceitos e com muitas oportunidades.

É claro que não dá para pensar que tudo é uma maravilha (na verdade, quase tudo é!). Tem um fator negativo na história da cidade que é o clima. Durante a primavera, verão e outono tudo é maravilhoso, mas quando chega o inverno você tem vontade de voltar correndo para o Brasil. Em novembro pegamos temperaturas como -8C com sensação de -15C. O mês de dezembro já começou com -15C e sensação de -25C. É lindo ver a neve caindo e a cidade tomada por tapetes brancos. Mas quando o vento congelante bate no rosto... a única vontade que temos é de ficar em casa. É claro que o país está muito bem preparado para os quase cinco meses de frio. Todos os lugares fechados têm aquecedor. Dentro dos ônibus e do metro é super confortável e aquecido, dá para ficar só de camiseta. Todas as casas tem calefação. Não tem essa de sair do banho e congelar de frio. 
Vamos embora no fim de dezembro e tenho certeza que vamos ver ainda muita neve rolar, mas mesmo assim, não vamos ter o (des)prazer de sentir temperaturas como -30C que acontecem em janeiro e fevereiro. Pelo menos, é o que eu espero!

Neve no início de dezembro em Montreal



quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Conhecendo o Québec - Laurentides e Cantons de l'Est

Quando o outono chega no Canadá a melhor coisa a fazer é pegar o carro ou um ônibus e ir conhecer as desconcertantes regiões do Québec. Nada melhor do que ver as folhas das árvores amarelas e vermelhas. Por vezes achamos que estamos dentro de uma pintura de tão lindas que são as paisagens.

Um dos lugares mais bonitos do Québec é, sem dúvida, Mont-Tremblant. A pequena cidade fica na região Laurentides, à 140 km no noroeste de Montreal. É uma cidade turística e cheia de montanhas. A melhor época para conhecer Mont-Tremblant é durante o outono. A natureza apresenta um verdadeiro espetáculo. Suba as montanhas, conheça, procure lugares escondidos que você vai encontrar as maiores belezas do Québec. Aconselho a conhecer as montanhas da região Laurentides entre a última semana de setembro e a primeira semana de outubro. Faz um pouco de frio, em torno de 10°C, mas a paisagem é deslumbrante. Não fui até lá no inverno, mas ouvi falar que vale a pena também, pois há muitos locais para praticar o ski.

O tempo suficiente para conhecer Mont-Tremblant é de uma tarde. O centro turístico é bem pequeno e dá para percorrê-lo em menos de um dia. Fomos com a empresa chinesa Sinorama. O ônibus saí de Montreal de manhã cedo, passa por Saint-Sauveur (linda!), depois por Sainte-Agathe-des-Monts e pelas 11h chega à Mont-Tremblant. A primeira cidade em que ficamos apenas 40 minutos é apaixonante. Deu vontade de passar o final de semana inteiro lá. Uma cidadezinha pequena e bonitinha que parece de brinquedo. O tour com a Sinorama custou menos de $ 50. Eu aconselho fazê-lo durante o outono. Posso garantir que as paisagens vistas serão incríveis e jamais serão esquecidas.

Cantons de l'Est: Ao sul do Québec fica a região de Cantons de l'Est que faz fronteira com os Estados Unidos. A região é muito bonita e é frequentada pelos canadenses nos finais de semana. Fomos em alguns lugares em que as pessoas ficaram surpresas de saberem que éramos brasileiros, elas explicaram que não é muito comum ver turistas de fora do Canadá por lá.

Se você tem tempo para conhecer o Québec, não deixe de conhecer o Sul. Pegamos um carro e saímos de Montreal na manhã de sábado e em 1h20 de viagem estávamos em Granby. Uma cidade bem pequena e cheia de charme. Depois passamos por Bromont (onde tem o museu do chocolate), Orford (onde fizemos colheita de abóbora) e, por último, chegamos a Magog para dormir. Durante o outono é muito comum as pessoas saírem pelas fazendas em busca de abóboras e maçãs. Nessa época de colheita, qualquer um pode fazê-la. Em Orford fomos na fazenda Citrouilles et Tournesols (Abóboras e Girasóis), e fomos em busca de alguns legumes plantados lá mesmo. Estava chovendo, mas mesmo assim não desistimos. Saímos com um carrinho de mão pela fazenda e fomos juntando abóboras, maçãs, cenouras, cebolas pelo caminho. No final do roteiro, fizemos uma degustação de produtos locais. Cada um paga o que colhe, e o preço é melhor do que o do supermercado.

Após, fomos visitar a vinícola Le Cep D'Argent, perto de Magog. Como estava chovendo, não podemos ver muito a paisagem, mas valeu o passeio só pelo fato de termos tomado um bom vinho canadense!

No outro dia, pela manhã, fomos para Sherbrooke. É a quarta maior cidade do Canadá e tem diversas atividades culturais o ano inteiro. Quando fomos, no início de outubro, estava na época da Feira do Livro.

A região de Sherbrooke é cercada por montanhas, rios e lagos. O legal é passear pelas ruelas e descobrir os pequenos cafés (e croissants, claro!) da cidade. De Sherbrooke para Montreal são aproximadamente 160 km. Na volta para Montreal não deixe de parar em algum dos outlets pelo meio do caminho, ótimas opções de compras.
Saint-Sauveur
Sainte-Agathe-des-Monts

Mont-Tremblant 
No teleférico de Mont-Tremblant


Vista do alto de Mont-Tremblant 
Centro turístico de Mont-Tremblant
Algum lugar em uma estrada do Québec 
Na região de Cantons de l'Est 
Lindas paisagens durante o outono no Québec...
Magog


quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Basílica Notre-Dame e Oratório Saint-Joseph em Montreal

Basílica Notre-Dame é o nome da principal Basílica de Montreal e leva o nome da mais famosa Instituição religiosa de Paris. A Basílica, do Canadá, foi fundada em 1642 pelos jesuítas. Em 1683 a Igreja foi reformada em estilo barroco, mas somente em 1800 que a Basílica tomou forma tal qual a conhecemos. O arquiteto de origem irlandesa, James O'Donnell, optou por um estilo neogótico, que no século 19 era muito popular na Europa e nos Estados Unidos. Dessa maneira, Notre-Dame tornou-se a primeira Igreja neogótica do Canadá.

A capela do Sacré-Coeur (anexada a Basílica em 1891), conhecida como a capela dos casamentos, foi atingida por um incêndio em 1978 e em 1980 foi totalmente reconstruída.

A Basílica é o centro de muitos eventos religiosos e culturais. Os primeiros ministros Georges Étienne Cartier e Pierre-Elliot Trudeau foram velados na Notre-Dame. O papa João Paulo II realizou uma missa no local em 1984. A Igreja também foi palco do casamento de Celine Dion em 1994. Para quem não sabe, a célebre cantora é do Québec.
As três estátuas na frente da Basílica representam Montreal (a Virgem Maria), o Québec (São João Batista) e o Canadá (São José). Centenas de casamentos e cerca de 120 batismos são realizados todos os anos na Notre-Dame. Em média, 2.500 pessoas visitam a Basílica todos os dias.
A Igreja fica na rua Notre-Dame perto do Old Port. Para entrar durante a semana é necessário pagar $ 5. Nos horários de missa é gratuito.

Oratoire Saint-Joseph: Um dos cartões postais da cidade e um dos lugares obrigatórios para visitar em Montreal, é o Oratoire Saint-Joseph. A maior igreja do Canadá fica ao lado do Parque Mount-Royal. A construção começou em 1924 e foi finalizada em 1967. A cúpula da Igreja é a segunda maior desse tipo no mundo, ficando atrás somente da Basílica de São Pedro no Vaticano, em Roma.
Mais de dois milhões de pessoas visitam o Oratório todos os anos. A entrada é gratuita. Para visitar o museu é preciso pagar $ 3.
Notre-Dame em Montreal
Dentro da Basílica

Capela do Sacré-Coeur 
Oratoire Saint-Joseph

domingo, 16 de novembro de 2014

Museu de Belas Artes e McCord em Montreal

Museu de Belas Artes: Quem aprecia a boa arte não pode perder a oportunidade de visitar o Musée des Beaux-Arts Montréal. O complexo interliga quatro museus por baixo da terra. Um dos prédios expõe, permanentemente, objetos da arqueologia mediterrânea, arte das américas, da Ásia, da África e referente ao islamismo. São mais de nove mil objetos expostos.
A coleção internacional é incrível e foi a que mais gostei. São 1.400 obras de arte internacionais em quatro andares do museu. Quadros e esculturas de artistas como Francisco Goya, Rembrandt, Thomas Gainsborough podem ser vistas. A história da arte é contada da Idade Média até a metade do século XIX.
Na ala do impressionismo, podemos ver quadros de Paul Cézanne, Salvador Dalí, Joan Miró, Claude Monet, Pablo Picasso e Auguste Rodin.

O Museu de Arte Canadense e Québécois (dentro do complexo do Museu de Belas Artes) expõe objetos da cultura Inuit. Um outro pavilhão de arte decorativa e design está interligado. Vale a pena visitar todas as áreas, mas se você não tiver muito tempo, visite somente a área internacional.
Como estamos aqui há alguns meses, já fomos três vezes ao museu. Sempre falta alguma coisa para ver. É muito grande e sempre tem uma surpresa reservada que vale o retorno. O ingresso custa $ 20 e dá acesso aos quatro museus, mas vai uma dica valiosa: todo último domingo do mês, a entrada é gratuita.

McCord: O museu que conta a história de Montreal, do Québec e do Canadá foi inaugurado em 1921 por um colecionador apaixonado, David Ross McCord. David começou a juntar objetos históricos e importantes para a história de Montreal até reuni-los em museu. O prédio pertence a famosa Universidade McGill e é localizado bem em frente à Instituição. São milhares de objetos, fotos e manuscritos contam a história de Montreal, do Québec e do Canadá. O museu não é tão grande. Duas horas são suficientes para visitá-lo. O ingresso custa $ 14 e, para estudante, $ 9. Outra boa dica: todas as quartas depois das 17h, a entrada é gratuita.

Museu de Belas Artes 
Monet
Arte Inuit
McCord Museu

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Pointe-à-Callière, Marguerite Bourgeoys e La Ronde em Montreal

Há pouco tempo descobri um dos museus mais interessantes de Montreal. Ele é um dos mais importantes da cidade, afinal foi naquele local que Maisonneuve fundou Ville-Marie (Montreal) em 1642.

Pointe-à-Callière: O Museu de Arqueologia e História de Montreal fica próximo do Old Port, bem no centro de várias atrações turísticas. Logo na entrada, em uma sala enorme, o visitante assiste a um filme em 3D sobre a história da cidade que já foi capital do país. Após, podemos ver, no subsolo, objetos e fatos históricos importantes na construção de Montreal. Detalhe: tudo em meio a ruínas originais.

O museu recebe esse nome em homenagem ao terceiro governador da cidade, em 1688, Chevalier Louis Hector de Callière. A maior autoridade do local na época, construiu uma casa no mesmo lugar em que Montreal foi fundada. O centro histórico foi inaugurado em 1992 para comemorar o aniversário de 350 anos da metrópole.

A exibição permanente conta seis séculos de história de Montreal. Os visitantes aprendem história sobre os povos aborígenes que aqui viviam. O primeiro cemitério católico do país (entre 1643-1654) existiu, provavelmente, no local do museu.

Quando visitei o Ponte-à-Callière, em setembro de 2014, pude ver também uma exposição temporária sobre Marco Polo. O explorador nascido na República de Veneza do século XIII (fim da Idade Média) viajou de Veneza até a China e pelo caminho foi descobrindo culturas, religiões, comidas e pessoas diferentes. O livro escrito por Marco Polo sobre sua grande aventura influenciou Cristóvão Colombo a descobrir uma nova rota até a Índia e finalmente chegar na América, em 1492. A exposição é linda porque traz objetos da época do explorador e dos locais pelos quais passou. Nos corredores foi possível ler trechos do livro - As viagens de Marco Polo. Os ingressos custam $ 20 para adulto e, $ 12, para estudante.

Museu Marguerite Bourgeoys: Marguerite foi provavelmente uma das personalidades femininas mais importantes na história de Montreal. Ela veio da França para a Nova Colônia em 1653 e fundou a primeira escola da cidade. A francesa ensinava crianças a escreverem, a lerem e a fazerem trabalhos manuais. Com o tempo a escola foi crescendo em razão do número grande de crianças, então Marguerite fundou a comunidade religiosa de Notre-Dame. Com a ajuda das freiras, ela educava as crianças desta nova nação. Marguerite projetou a construção de uma das Igrejas mais bonitas de Montreal, a conhecida Chapelle Notre-Dame-de-Bon-Secours, que fica junto ao museu que leva o seu nome. A religiosa também foi responsável por cuidar, educar e ajudar as Filles du Roy, jovens órfãs enviadas pelo rei para colonizar a "Nova França". O museu registra a história da vida dessa imigrante francesa. No último andar temos uma vista esplendorosa da cidade. Em uma das torres podemos ver todo o porto de Montreal e enxergar a Île Sainte-Hélène logo à frente. Não deixe de visitar a capela, é realmente encantadora. A entrada na Igreja é gratuita, já no o valor é de $ 7 para estudantes até 25 anos e $ 10 para os demais.

La Ronde: O maior parque de diversões do Quebéc fica na Île Sainte-Hélène, em Montreal. Mesmo que você já tenha ido à Disney e à Universal, não descarte essa oportunidade. É um parque Six Flags, e isso quer dizer que tem muiiita adrenalina! O parque funciona de maio até novembro e, nesse ano, fechará dia dois de novembro. Por causa do frio é perigoso abrir o parque no inverno. Se você visitar Montreal nesse período em que o La Ronde funciona, vale a pena passar um dia lá. O parque é grande e muito amusemant (divertido), como diriam os franceses! O ingresso custa $ 47 online e $ 60 se comprar na hora. Esse é o site do parque: http://www.laronde.com/larondefr/tickets.asp

Ponte-à-Callière 
Vista do Museu Marguerite Bourgeoys 
Chapelle Notre-Dame-de-Bon-Secours
La Ronde 








Visitantes